O Dia Internacional da Mulher é uma ocasião especial para reconhecer e celebrar as conquistas das mulheres em diversas áreas, incluindo a engenharia, a topografia e o setor energético. 

Neste blog, vamos explorar o importante papel que as mulheres desempenham nessas áreas e por que é importante valorizar suas contribuições.

8 de Março: Dia Internacional da Mulher

O dia 8 de março é conhecido como o Dia Internacional da Mulher, uma data que simboliza a luta histórica das mulheres por direitos igualitários, melhores condições de trabalho e reconhecimento social. 

A origem dessa data está relacionada aos movimentos operários e feministas que ocorreram no final do século 19 e início do século 20, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, onde as mulheres reivindicavam o direito ao voto, à educação, à saúde e à participação política. 

Uma dessas manifestações foi a greve das operárias têxteis em Nova York em 1857, que protestavam contra as péssimas condições de trabalho e os baixos salários. 

Já em 1908, outro episódio importante ocorreu em 28 de fevereiro, quando operárias têxteis nova-iorquinas fizeram uma greve por melhores condições de trabalho e redução da jornada de trabalho. 

Esse movimento culminou em um incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist Company, no qual muitas mulheres trabalhadoras morreram devido às péssimas condições de segurança.

A partir desses eventos e das crescentes demandas por direitos trabalhistas e igualdade de gênero, a data de 8 de março começou a ser celebrada como um dia internacional de protesto e reivindicação dos direitos das mulheres.

Ao longo do tempo, elas foram conquistando espaços em diversas áreas do conhecimento, da cultura, da ciência e da tecnologia, contribuindo com suas ideias, talentos e inovações para o desenvolvimento da humanidade. 

Desde então, o dia tem sido uma oportunidade para reconhecer as conquistas das mulheres e destacar a importância da igualdade de gênero.

Mulheres na Engenharia e sua Importância

As mulheres têm desempenhado um papel fundamental na engenharia, contribuindo para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e soluções para desafios complexos. 

Seja na construção de pontes, estradas ou edifícios, as engenheiras têm demonstrado sua capacidade de liderança e habilidades técnicas. Além disso, a diversidade de gênero na engenharia traz perspectivas únicas e promove a inovação.

No entanto, no Brasil, as mulheres representam apenas cerca de 20% dos profissionais registrados no sistema Confea/Crea, que engloba todas as modalidades de engenharia. 

Programa Mulher

O Programa Mulher, lançado em 2018, é uma iniciativa do Sistema Confea/Crea e Mútua que visa promover a equidade de gênero nas profissões representadas pelo sistema. 

Em 2020, o programa alcançou um marco histórico, com 200 mil mulheres engenheiras, agrônomas, meteorologistas, geógrafas, geólogas e outras profissionais inscritas no sistema, o que representa um aumento considerável em relação a 2019, quando apenas 12% das mulheres compunham o plenário dos 27 Creas. 

O Programa Mulher tem como objetivo fomentar a elaboração de políticas atrativas para mulheres nessas áreas, incentivando sua participação em cargos eletivos e promovendo a paridade de gênero no sistema. 

Destaque feminino

Apesar de serem minoria, as mulheres têm se destacado em diversas áreas, demonstrando suas habilidades e liderança. Um exemplo é Enedina Alves Marques, a primeira mulher negra a se formar em engenharia civil no Brasil, em 1945. 

Enedina trabalhou no Plano Hidrelétrico do estado do Paraná e atuou no aproveitamento das águas dos rios Capivari, Cachoeira e Iguaçu, tendo trabalhado no projeto da Usina Capivari-Cachoeira, um marco na engenharia nacional.

 

Foto de Enedina Alves Marques

 

Mulheres na Topografia 

No Brasil, as mulheres geógrafas têm sido pioneiras na pesquisa e no ensino da topografia. 

Como exemplo, cabe citar Miridan Falci, que participou da segunda expedição ao território do Rio Branco e publicou um livro sobre a geomorfologia da região. Seu trabalho foi essencial para o avanço do conhecimento topográfico no país. 

No entanto, é importante reconhecer que muitas dessas mulheres foram “apagadas” da historiografia, mesmo tendo realizado importantes trabalhos. Durante a expedição, Miridan tomou extensivas notas de campo, que posteriormente resultaram em um livro intitulado “Expedições Geomorfológicas no Território do Rio Branco”. 

A autoria do livro foi creditada apenas ao seu professor, Francis Ruellan, ilustrando a exclusão das pesquisas das mulheres de narrativas hegemônicas. 

Essa história ressalta a importância de reconhecer e valorizar as contribuições das mulheres na geografia e em outras áreas, combatendo a invisibilidade e promovendo a igualdade de gênero no meio acadêmico e na sociedade em geral.

 

“Eu fui chamada para a expedição para cozinhar. Para ser escolhida, disse que sabia cozinhar e aplicar injeções.” – Miridan Falci, sobre o processo de seleção para a expedição ao território do Rio Branco. 

Outra que merece destaque é Edith Clarke, a primeira a se formar em engenharia elétrica no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). 

Foto de Edith Clarke

 

Trabalhando na General Electric como supervisora de computadores no Departamento de Engenharia de Turbinas, ela desenvolveu a calculadora Clarke, em 1921, um dispositivo gráfico simples que resolveu equações envolvendo corrente elétrica, tensão e impedância em linhas de transmissão de energia. 

Essa invenção foi um grande avanço, permitindo resolver equações de linha envolvendo funções hiperbólicas dez vezes mais rápido do que os métodos anteriores. 

Edith apresentou uma patente para a calculadora em 1921, que foi concedida em 1925.

Mulheres na Energia

Historicamente, o setor energético tem sido dominado por homens, o que se reflete em uma força de trabalho pouco representativa da população em geral. Em média, há uma proporção muito menor de mulheres trabalhando no setor energético em comparação com outros setores da economia. 

Esta discrepância é particularmente pronunciada quando se compara com a média de gênero na força de trabalho global. No Brasil, elas correspondem a cerca de 22% da força de trabalho no setor energético, segundo a Organização Mundial do Trabalho

Nesse contexto, a iniciativa de diversidade de gênero da IEA (Agência Internacional de Energia) surge como uma resposta fundamental. 

Seu objetivo é aprimorar a coleta de dados e conhecimentos relacionados ao gênero, visando desenvolver recomendações políticas para auxiliar os governos e a indústria a promover uma maior igualdade de gênero no setor energético. 

Isso inclui a coleta de dados detalhados sobre gênero e energia, abrangendo áreas como emprego, gestão, inovação e financiamento. Tais informações são essenciais para monitorar o progresso, fornecer atualizações regulares aos responsáveis pela tomada de decisões e elaborar políticas eficazes que promovam a igualdade de gênero no setor energético em todo o mundo.

Protagonismo e importância feminina

As mulheres na energia desempenham papéis fundamentais para impulsionar a transição energética, ou seja, a mudança para um modelo mais sustentável, eficiente e diversificado de geração e uso de energia, que reduza as emissões de gases de efeito estufa e os impactos das mudanças climáticas. 

Apesar do baixo percentual, muitas ocupam posições de destaque e influência, como:

  • Agnes Maria de Aragão da Costa, chefe da Assessoria Especial de Regulação do Ministério de Minas e Energia, que coordena as políticas de descarbonização, digitalização, descentralização e diversificação de fontes; 
  • Luisa Palacios, pesquisadora sênior do Centro Global de Políticas Energéticas da Universidade de Columbia, que analisa os cenários e as tendências do mercado de energia; e
  • Suzana Kahn, professora e pesquisadora da COPPE/UFRJ, que lidera projetos de inovação e desenvolvimento de tecnologias limpas.

Conclusão 

As mulheres na engenharia, na topografia e na energia são exemplos de profissionais que superaram barreiras, desafios e preconceitos para atuar em áreas estratégicas e relevantes para a sociedade. 

Elas demonstram que as mulheres são capazes de exercer qualquer função, desde que tenham oportunidades, incentivos e reconhecimento. 

Por isso, no dia das mulheres, devemos celebrar as conquistas e as histórias dessas mulheres, mas também refletir sobre as dificuldades e as desigualdades que ainda persistem. 

A luta das mulheres é uma luta de todos, pois envolve valores como respeito, justiça, diversidade e sustentabilidade, que são essenciais para o bem-estar coletivo e o futuro do planeta.